O sertanejo universitário nasceu da mistura entre a canção sertaneja de duplas, o pop de rádio, o country brasileiro e a rotina de bares frequentados por estudantes. O nome não descreve uma formação acadêmica. Ele identifica o circuito de repúblicas, festas de faculdade e casas noturnas que ajudou a espalhar duplas novas entre o fim dos anos 1990 e a primeira metade dos anos 2000.
Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, e Goiânia, em Goiás, aparecem no centro dessa formação. Nessas cidades, violões e vozes em terça passaram a conviver com bateria de pop-rock, baixo elétrico, guitarras de timbre country, teclados e sanfona. O repertório precisava funcionar em bares, rodeios, rádios, festas universitárias e shows com milhares de pessoas.
Nesta página, você vai entender o que diferencia esse gênero do sertanejo tradicional, quais cidades participaram da sua formação e por que certas gravações soam universitárias já nos primeiros compassos. Você também encontrará tarefas práticas para estudar andamento, levada, harmonia, afinação, segunda voz e arranjo usando referências brasileiras de sertanejo, forró, gospel, pagode e MPB como comparação.
O que é o Sertanejo Universitário, em uma definição que não serve para outro gênero
Sertanejo universitário é uma vertente do sertanejo que ganhou forma no circuito de bares, repúblicas e festas estudantis do Centro-Oeste brasileiro entre o fim dos anos 1990 e a primeira metade dos anos 2000. Sua formação mais reconhecível reúne dupla vocal, violão de seis cordas, bateria de pop-rock, baixo elétrico, guitarra com timbre country, teclados e, em muitos arranjos, sanfona. As letras costumam tratar de relacionamentos, festas, saudade, ciúme, término e vida noturna com frases diretas e refrões fáceis de memorizar.
O gênero se diferencia do sertanejo de raiz porque troca parte da narrativa rural e da instrumentação acústica por refrões curtos, levadas dançantes e produção de banda. Também se distancia do country norte-americano porque mantém a prosódia do português brasileiro, a estrutura vocal das duplas, o uso frequente de terças e referências harmônicas da música caipira. O resultado pode soar romântico, festivo ou sofrido, mas costuma reservar um espaço claro para o público cantar junto.
O rótulo universitário não determina uma única batida. Uma gravação pode usar guarânia, vaneira, arrocha, balada pop ou uma combinação desses elementos e ainda ser associada ao gênero. O ponto comum está na função do arranjo: a voz fica à frente, o refrão chega com força, o violão sustenta a base e a produção precisa funcionar em rádio, palco, bar e festa. Para comparar esse estilo com outros, consulte o índice de gêneros musicais brasileiros.
Faça hoje: escolha uma gravação de Jorge & Mateus ou João Bosco & Vinícius e anote cinco itens nos primeiros 30 segundos: compasso, andamento aproximado, instrumento que entra primeiro, momento da segunda voz e tamanho da introdução. Depois compare com uma faixa de sertanejo de raiz. A diferença aparece com mais clareza quando você descreve o arranjo em vez de depender apenas do rótulo.
Como reconhecer o Sertanejo Universitário em dois compassos
Comece pelo pulso. Em uma faixa dançante, você costuma encontrar compasso 4/4, caixa marcando os tempos 2 e 4 e bumbo reforçando o primeiro tempo. O andamento pode ficar entre 96 e 132 BPM em vaneiras e faixas de festa. Baladas românticas descem para aproximadamente 68 a 84 BPM. Use um contador de BPM para medir gravações e comparar o efeito de 72, 104 e 128 BPM no corpo da música.
No violão, procure um padrão de semicolcheias com acentos regulares, abafamentos e ataques que imitam uma batida de baile. Conte “1 e 2 e 3 e 4 e” e marque os ataques com a mão direita antes de trocar acordes. A guitarra pode responder à voz com frases curtas, bends e notas duplas. A sanfona, quando aparece, reforça contratempos ou toca chamadas entre os versos.
Preste atenção à produção vocal. A primeira voz conduz a melodia e a segunda cria terças em palavras importantes, sobretudo no refrão. Há compressão audível, ambiência curta e dobras usadas para aumentar o impacto das frases. Se a música trouxer uma base eletrônica, observe se ela apoia a batida sertaneja ou se substitui a banda. Essa diferença separa um arranjo de sertanejo universitário de um pop dançante cantado por uma dupla.
O repertório brasileiro ajuda a calibrar o ouvido. Compare a bateria reta de uma faixa de festa sertaneja com a zabumba de um forró de Luiz Gonzaga, a divisão do tantã em um pagode de Grupo Revelação e a condução de violão de uma balada de MPB. Os instrumentos mudam, mas você aprende a identificar pulso, subdivisão, acento e função.
Faça hoje: bata palmas apenas nos tempos 2 e 4 durante dois compassos. Em seguida, toque uma nota grave no tempo 1 e outra no tempo 3. Se você perder o pulso ao cantar o refrão, reduza para 80 BPM e aumente 4 BPM por tentativa. O objetivo é manter a levada estável por três minutos, sem acelerar no refrão.
De onde veio: lugar, década e quem estava lá
A origem do sertanejo universitário costuma ser associada ao Centro-Oeste, principalmente a Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, e Goiânia, em Goiás. No fim dos anos 1990 e no começo dos anos 2000, duplas tocavam em bares, festas de faculdade e casas de shows dessas cidades. O circuito de Campo Grande aproximou a música sertaneja de uma formação mais elétrica e dançante. Goiânia ofereceu estúdios, compositores, empresários e uma rede de shows que ampliou essa circulação.
João Bosco & Vinícius são nomes centrais nessa fase. A dupla começou a se apresentar ainda jovem em Campo Grande e ajudou a fixar um repertório que misturava romantismo, vaneira e comunicação direta com o público. César Menotti & Fabiano, ligados a Minas Gerais e depois ao circuito nacional, também participaram da expansão do formato com gravações ao vivo e repertório acessível. Fernando & Sorocaba fortaleceram a presença de guitarra, country e produção de palco na segunda metade dos anos 2000.
Jorge & Mateus, formados em Itumbiara, Goiás, ganharam projeção nacional a partir de 2007 e levaram a estética de Goiânia para um público amplo. Victor & Leo aproximaram o sertanejo de baladas pop e elementos acústicos. Na década de 2010, Luan Santana, Gusttavo Lima e outras carreiras solo ampliaram o modelo, enquanto artistas como Henrique & Juliano e Matheus & Kauan atualizaram o repertório romântico. Marília Mendonça, Maiara & Maraísa e Simone & Simaria ampliaram a presença feminina e ajudaram a consolidar o repertório associado ao feminejo.
Por isso, a história do gênero não depende de um único disco ou de uma única cidade. O eixo Campo Grande–Goiânia foi decisivo, mas a circulação nacional também passou por Belo Horizonte, São Paulo, Brasília, Curitiba e cidades do interior. Casas de show, rádios regionais, CDs ao vivo, festas de rodeio e, mais tarde, plataformas digitais mudaram a escala de divulgação.
Faça hoje: monte uma linha do tempo com quatro pontos: 1999, 2003, 2007 e 2010. Em cada ponto, associe uma dupla ou artista, uma característica de arranjo e um canal de circulação. Por exemplo: Campo Grande, bares e vaneira; Goiânia, estúdios e repertório romântico; 2007, projeção nacional; 2010, carreira solo e grandes palcos. Essa sequência mostra como cena local, produção e mercado se conectaram.
Os subgêneros e o que separa um do outro
Os nomes usados pelo mercado não formam uma classificação rígida. Eles ajudam a descrever arranjos, temas e públicos. O universitário romântico usa andamento médio, violão em primeiro plano, teclados discretos e refrão amplo. A música pode falar de reencontro, ciúme ou separação, com espaço para a voz e para a segunda dupla vocal. Gravações de Jorge & Mateus e Victor & Leo mostram caminhos diferentes dentro dessa área.
A sofrência sertaneja coloca a dor amorosa no centro. O arranjo pode ter arrocha, guarânia lenta, guitarra limpa e teclado sustentando acordes longos. O que separa essa vertente de uma balada romântica comum é a dramaticidade da interpretação, a repetição de uma frase central no refrão e a exposição direta do conflito. Marília Mendonça, Maiara & Maraísa e Simone & Simaria ajudaram a consolidar a presença feminina nesse repertório, movimento frequentemente chamado de feminejo.
O sertanejo de festa ou eletrônico usa bateria mais comprimida, loops, sintetizadores, palmas processadas e viradas preparadas para grandes palcos. Já a vaneira sertaneja conserva o balanço binário e a sanfona mais evidente, com baixo e bateria empurrando a dança. Há ainda arranjos acústicos, próximos de um pocket de voz, violões e percussão. Uma gravação pode misturar dois ou três desses caminhos sem deixar de ser reconhecida pelo público como sertaneja.
Para estudar a harmonia de qualquer uma dessas abordagens, compare as progressões de acordes e observe como o mesmo I–V–vi–IV muda de caráter com andamento, timbre e divisão rítmica. Em Dó maior, essa sequência corresponde a C–G–Am–F. Você não precisa reproduzir uma cifra completa de uma obra protegida para entender o mecanismo: basta tocar a progressão, mudar a levada e registrar o resultado.
Faça hoje: toque I–V–vi–IV por oito compassos em 72 BPM, depois em 112 BPM. Na primeira versão, use violão dedilhado e voz baixa. Na segunda, use batida com abafamento e acentos nos tempos 2 e 4. Anote três mudanças de percepção. O exercício mostra por que andamento e articulação pesam tanto quanto a escolha dos acordes.
Instrumentação: o que é obrigatório e o que é opcional
Não existe uma lista oficial de instrumentos obrigatórios, mas há uma base reconhecível. O violão de seis cordas sustenta a harmonia e a levada. A voz principal e a segunda voz em terça são fundamentais para o idioma das duplas. Baixo elétrico e bateria definem o peso da banda, enquanto a guitarra pode acrescentar respostas, introduções e desenhos country. Sem esse núcleo, a faixa ainda pode ser sertaneja, mas tende a se afastar do som universitário de banda.
A sanfona é opcional. Ela aparece com força em vaneiras, modões dançantes e arranjos influenciados pelo forró, mas não está presente em todas as gravações. A viola caipira também pode entrar, especialmente em introduções e interlúdios, embora o violão elétrico e a guitarra tenham ocupado mais espaço no repertório urbano. Teclado, pad, órgão, percussão, palmas e elementos eletrônicos completam a produção conforme o objetivo da música.
Na gravação, escolha a afinação com cuidado. O padrão da guitarra e do violão costuma ser E–A–D–G–B–E, com 82,41 Hz na sexta corda quando ela está em E2. A tonalidade pode descer para favorecer a voz. Um afinador online ajuda a conferir o instrumento pelo microfone do aparelho; o resultado depende desse microfone, do ruído do ambiente, da distância até o instrumento e da nota tocada. A ferramenta roda no navegador com a página aberta. Toque uma corda por vez, mantenha o aparelho a até 50 centímetros e confira novamente depois de ajustar a tarraxa.
Para quem está começando, as aulas gratuitas do Cantivy oferecem uma rota prática para ritmo, acordes e acompanhamento. O baixo não precisa dobrar todas as notas do violão. Uma linha com tônica no tempo 1, quinta no tempo 3 e antecipações curtas já cria movimento. A bateria pode começar com bumbo e caixa, e receber pratos apenas na entrada do refrão.
Faça hoje: grave uma base de oito compassos com violão e voz. Faça uma segunda versão acrescentando apenas baixo e bateria. Na terceira, inclua guitarra ou sanfona em respostas de dois tempos. Compare os arquivos em volume semelhante. Se o arranjo ficar cheio antes do refrão, retire um instrumento do verso em vez de adicionar mais camadas.
Artistas e gravações de referência
Para ouvir a formação do gênero, comece por João Bosco & Vinícius. A dupla representa a ponte entre o circuito de Campo Grande e a expansão nacional do início dos anos 2000. Depois, escute César Menotti & Fabiano, cuja presença de modão, viola e gravações ao vivo mostra como o universitário dialogou com a tradição. Essas referências ajudam você a perceber que o rótulo não apagou o repertório sertanejo anterior.
Jorge & Mateus são essenciais para entender a fase de consolidação em Goiânia. Observe a abertura dos refrões, a segunda voz e a mistura de violão com bateria de pop. Fernando & Sorocaba revelam outro caminho, com guitarra, elementos country e produção de palco. Victor & Leo mostram como a balada acústica pode alcançar o público do gênero sem depender de uma batida acelerada.
Na década de 2010, vale ouvir Luan Santana, Gusttavo Lima, Henrique & Juliano, Matheus & Kauan, Zé Neto & Cristiano, Marília Mendonça e Maiara & Maraísa. Compare uma faixa de festa com uma sofrência lenta, sem copiar letras ou cifras completas. Anote andamento, tonalidade, forma, entrada da bateria e função da segunda voz. Esse método é mais útil do que escolher uma gravação apenas pelo rótulo.
Use também contrastes brasileiros. Compare a construção do refrão sertanejo com um refrão de pagode, como os de Exaltasamba ou Grupo Revelação. Depois observe como um cantor gospel organiza a repetição de uma frase, como em repertórios de Aline Barros, ou como uma canção de MPB usa silêncio e extensão melódica. A comparação não transforma os estilos em equivalentes. Ela treina você a ouvir forma, dinâmica, timbre e interpretação.
Faça hoje: escolha três gravações e preencha uma tabela com seis colunas: BPM, tonalidade, duração da introdução, primeiro instrumento ouvido, entrada da segunda voz e número de compassos até o refrão. Use um cronômetro e o contador de BPM. Em 20 minutos, você terá um mapa de arranjo que pode orientar seu próximo estudo.
Como tocar sertanejo universitário sem soar genérico
Comece definindo uma cena. Uma música sobre república, viagem de fim de semana, término por mensagem ou reencontro no bar pede imagens específicas. Evite empilhar frases prontas sobre saudade e bebida. Escolha um detalhe concreto, como o horário, o local ou um objeto que ficou no carro. A letra ganha identidade quando o personagem toma uma decisão, em vez de apenas declarar que está sofrendo.
Na harmonia, uma sequência I–V–vi–IV funciona, mas não cria personalidade sozinha. Experimente começar no vi, usar um acorde de passagem dominante ou trocar o ritmo entre verso e refrão. O gerador de acordes pode sugerir combinações para você testar, mas a escolha final deve servir à melodia e à extensão vocal. Grave três versões com o mesmo refrão e mude apenas o baixo, o andamento e a divisão do violão.
No arranjo, deixe cada instrumento cumprir uma função. O violão pode marcar a pulsação no verso, a bateria pode abrir no pré-refrão e a guitarra pode responder somente nos espaços da voz. Reserve a sanfona para uma chamada com motivo próprio. Grave a segunda voz em frases selecionadas, não em todas as palavras. Um sertanejo universitário convincente tem acentos brasileiros, dinâmica e uma interpretação que parece feita para aquela história, não para qualquer faixa.
Na segunda voz, comece com o refrão. Escolha duas frases curtas, cante a melodia principal e teste uma terça acima ou abaixo nas palavras com vogais abertas. Se a linha sair do registro, mova a terça para uma nota do acorde. Grave a primeira voz no centro, a segunda um pouco mais baixa e escute em mono. Se a melodia perder clareza, reduza a quantidade de palavras em harmonia.
Faça hoje: escreva uma cena com três dados concretos: cidade, horário e objeto. Crie um verso de oito compassos e um refrão de oito compassos. Toque I–V–vi–IV a 104 BPM, grave a voz principal e adicione segunda voz apenas nos dois últimos compassos do refrão. Depois faça uma versão a 76 BPM. Escolha a que melhor sustenta a história, não a que parece mais cheia.
Levada de violão, bateria e baixo: um arranjo que você consegue montar
Uma base funcional pode começar com quatro camadas. No violão, toque semicolcheias em 4/4 e abafe dois ataques por compasso. Na bateria, coloque bumbo nos tempos 1 e 3, caixa nos tempos 2 e 4 e chimbal em colcheias. No baixo, toque a tônica no tempo 1 e a quinta no tempo 3. Na voz, deixe o verso com menos notas longas e reserve a extensão maior para o refrão.
O pré-refrão precisa criar expectativa sem entregar o impacto cedo demais. Você pode retirar o chimbal por dois tempos, segurar o último acorde do verso ou usar uma subida de baixo com três notas. No refrão, abra o prato, aumente a duração das vogais e deixe a guitarra responder entre as frases. Uma mudança simples de dinâmica costuma funcionar melhor do que quatro instrumentos tocando a mesma divisão.
Para uma vaneira sertaneja, mantenha o pulso binário e experimente sanfona em chamadas de um compasso. Para uma balada de sofrência, reduza o andamento para 68 a 84 BPM, use caixa mais espaçada e deixe o teclado sustentar acordes. Para uma faixa próxima do pagode, preserve a identidade sertaneja no violão e na dupla vocal, mas estude como o tantã e o pandeiro distribuem os ataques. A referência serve para ampliar o vocabulário, não para copiar a batida inteira.
Faça hoje: monte um arranjo de 32 compassos: oito de introdução e verso, oito de pré-refrão, oito de refrão e oito de encerramento. Mantenha o violão em todos os compassos. Faça a bateria entrar no compasso 9, a segunda voz no compasso 17 e a guitarra no 21. Ao final, confira se cada entrada muda a energia da música.
Afinação, tonalidade e segunda voz para cantar em dupla
A afinação padrão E–A–D–G–B–E funciona para muitos estudos de violão e guitarra. A sexta corda em E2 corresponde a 82,41 Hz, a quinta em A2 a 110 Hz e a primeira em E4 a 329,63 Hz. Esses valores servem como referência musical, não como promessa de precisão de laboratório. O afinador depende do microfone do aparelho, do ruído do ambiente e da estabilidade da nota.
Escolha a tonalidade pela região em que a primeira voz canta com conforto. Se o refrão exige esforço acima de E4 para uma voz masculina ou acima de A4 para uma voz feminina, teste a transposição em semitons. Desça um tom, de G para F, ou dois semitons, de A para G, e compare a interpretação. Uma tonalidade mais baixa pode deixar a voz encorpada; uma mais alta pode dar brilho, mas não deve forçar a garganta.
A segunda voz em terça não precisa acompanhar todas as sílabas. Comece com finais de frase e palavras-chave. Em uma progressão em Sol maior, a melodia pode receber terças diatônicas de acordo com os acordes G, D, Em e C. Se a nota não pertencer ao acorde ou soar apertada no registro, use a quinta do acorde ou deixe a primeira voz sozinha por um tempo.
Faça hoje: escolha um refrão de oito compassos sem reproduzir sua letra. Cante a melodia com uma vogal neutra, como “a”. Grave três tentativas de segunda voz: apenas nos compassos 3 e 4, apenas nos compassos 7 e 8, e em todas as frases. Compare a clareza das três versões. Na maioria dos arranjos, menos entradas deixam a dupla mais definida.
Perguntas frequentes
O sertanejo universitário é o mesmo que sertanejo?
Sertanejo universitário é uma vertente do sertanejo, não um sinônimo perfeito. Ele se formou no circuito estudantil do Centro-Oeste e incorporou bateria de pop-rock, guitarra, teclados e produção voltada para bares, rádio e grandes shows. O sertanejo tradicional costuma preservar mais elementos de viola, modão, narrativa rural e arranjos acústicos, embora existam muitas áreas de contato entre os dois. Para comparar, escute 30 segundos de cada estilo e anote instrumentação, andamento e função da segunda voz.
Por que o nome sertanejo universitário foi criado?
O nome surgiu para identificar duplas que tocavam em festas de faculdade, repúblicas e bares frequentados por estudantes, sobretudo em Campo Grande e Goiânia. Não significa que os artistas precisassem estar matriculados em uma universidade. O termo destacou um circuito de shows e um público jovem, além de diferenciar aquele repertório pop e dançante do sertanejo de raiz. A associação ganhou força no fim dos anos 1990 e no começo dos anos 2000.
Qual cidade é considerada a origem do sertanejo universitário?
Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, aparece com frequência nas histórias sobre a origem do gênero por causa das duplas e dos bares que movimentaram a cena no início dos anos 2000. Goiânia, em Goiás, foi decisiva para a profissionalização, a composição e a expansão nacional. Em vez de uma origem isolada, o gênero nasceu de uma conexão entre essas cenas do Centro-Oeste, com circulação posterior por Brasília, Belo Horizonte, São Paulo e cidades do interior.
Quais instrumentos aparecem no sertanejo universitário?
O núcleo mais comum reúne violão de seis cordas, baixo elétrico, bateria, guitarra e vozes em dupla. Sanfona, viola caipira, teclado, órgão, percussão, palmas e elementos eletrônicos entram conforme o subgênero e o arranjo. A sanfona aparece bastante em vaneiras, enquanto guitarras e sintetizadores ganham espaço em faixas de festa e produções voltadas para grandes palcos. Para estudar, grave primeiro voz e violão; depois acrescente uma camada por vez.
Qual é o andamento mais comum do sertanejo universitário?
Não há um único andamento. Faixas dançantes costumam ficar aproximadamente entre 96 e 132 BPM, enquanto baladas românticas podem cair para 68 a 84 BPM. A vaneira pede um pulso firme e regular; a sofrência pode usar mais espaço entre as frases. Meça a gravação com um contador de BPM e observe também a divisão do violão, não apenas o número. Um mesmo I–V–vi–IV soa mais festivo a 120 BPM e mais confessional a 72 BPM.
Quem foram os primeiros artistas do sertanejo universitário?
João Bosco & Vinícius estão entre os nomes mais associados à primeira fase, especialmente pela atuação em Campo Grande. César Menotti & Fabiano, Fernando & Sorocaba, Jorge & Mateus e Victor & Leo participaram da expansão do formato em diferentes momentos. Cada dupla trouxe uma combinação própria de modão, pop, country, vaneira, balada e produção de palco. A formação também recebeu impulso de compositores, empresários, estúdios e rádios regionais.
O que é feminejo?
Feminejo é um termo usado para descrever a presença e a produção de mulheres no sertanejo contemporâneo, principalmente em repertórios de sofrência, autonomia afetiva e conflitos amorosos. Marília Mendonça, Maiara & Maraísa e Simone & Simaria são referências importantes. O termo não indica uma batida única. Ele destaca intérpretes, compositoras e temas que ganharam grande espaço no sertanejo dos anos 2010. Para ouvir as diferenças, compare andamento, registro vocal e posição da narrativa em três gravações.
Como fazer uma segunda voz no sertanejo universitário?
Comece escolhendo palavras importantes do refrão e teste uma terça acima ou abaixo da melodia principal. Mantenha as vogais alinhadas e evite cantar a segunda voz durante todas as frases. Grave a voz principal primeiro, depois ajuste a terça conforme a tonalidade e o registro. Em versos mais densos, uma resposta curta pode funcionar melhor do que uma linha paralela contínua. Pratique por dois compassos, escute em volume baixo e só depois leve a ideia para o refrão inteiro.
Quais acordes aparecem bastante no gênero?
Progressões como I–V–vi–IV e I–V–IV aparecem com frequência porque sustentam refrões claros e fáceis de cantar. Também são comuns sequências que começam no vi, movimentos entre IV e V e dominantes que preparam o refrão. O acorde isolado não define o gênero. Andamento, levada do violão, timbre da bateria e construção vocal mudam completamente a percepção da mesma progressão. Em Dó maior, toque C–G–Am–F a 72 e a 112 BPM para perceber a mudança.
Como diferenciar sertanejo universitário de arrocha?
O arrocha costuma enfatizar uma condução mais cadenciada, teclados, percussão e interpretação romântica, embora existam cruzamentos com o sertanejo universitário. No universitário, o violão de batida, a dupla vocal, a guitarra e a bateria de banda aparecem com frequência maior. Ainda assim, uma música pode misturar os dois estilos. Observe o padrão do baixo, a divisão rítmica e o papel do teclado. Uma escuta de 60 segundos, com foco apenas nesses três elementos, já revela a tendência do arranjo.
O afinador online serve para violão e guitarra?
Serve para conferir violão e guitarra pelo microfone do aparelho, desde que a página esteja aberta no navegador e o ambiente tenha pouco ruído. Toque uma corda por vez, mantenha o aparelho a aproximadamente 30 a 50 centímetros e espere a nota estabilizar antes de girar a tarraxa. O resultado depende do microfone, da acústica do ambiente e do volume da corda. Confira novamente depois de afinar as seis cordas, porque a tensão do instrumento pode alterar levemente as primeiras notas.
Como estudar sertanejo universitário em 30 minutos?
Divida o estudo em seis blocos de cinco minutos. No primeiro, marque o pulso com metrônomo entre 80 e 100 BPM. No segundo, toque uma progressão de quatro acordes sem cantar. No terceiro, pratique a batida com abafamentos. No quarto, grave a voz principal de um refrão sem reproduzir letra protegida. No quinto, adicione segunda voz apenas em duas frases. No sexto, escute a gravação e anote um problema de tempo, um problema de afinação e uma mudança de arranjo para a próxima tentativa.