Progressão ii–V–I: acordes em todos os tons

Em C, a progressão ii–V–I é Dm7 – G7 – Cmaj7. Abaixo, a mesma sequência transposta para os doze tons que mais aparecem no violão e no teclado, e o que muda quando você troca de tom.

ii7 Dm7
V7 G7
Imaj7 Cmaj7
Cada grau se afasta do repouso em uma medida diferente, e é esse desenho — não os acordes em si — que faz a roda soar como soa. Em C, o V7 é o ponto mais alto: é dele que a frase precisa voltar. Função harmônica no campo maior. As alturas são fixas por grau, não estimadas. Figura do Cantivy — livre para reutilizar com link para esta página.

A progressão ii–V–I em cada tom

Escolha o tom pela voz de quem canta, não pela facilidade da mão. Se o refrão estoura no agudo, desça um tom e refaça a leitura.

Tom ii7V7Imaj7
C Dm7G7Cmaj7
G Am7D7Gmaj7
D Em7A7Dmaj7
A Bm7E7Amaj7
E F#m7B7Emaj7
F Gm7C7Fmaj7
Bb Cm7F7Bbmaj7
Eb Fm7Bb7Ebmaj7
Am Dm7G7Cmaj7
Em Am7D7Gmaj7
Dm Gm7C7Fmaj7
Bm Em7A7Dmaj7

Monte cada posição no gerador de acordes, confira a afinação no afinador online e marque o andamento no metrônomo antes de tocar a roda inteira.

Músicas associadas à progressão ii–V–I

Uma progressão harmônica não pertence a ninguém — é a sequência de graus, não a obra. Por isso listamos apenas quais músicas são comumente citadas com esta roda, sem reproduzir letra nem cifra completa.

  • Garota de Ipanema Tom Jobim e Vinicius de Moraes o exemplo mais conhecido da cadência no Brasil
  • Corcovado Tom Jobim mesma cadência, andamento mais lento

A roda aparece com mais frequência em Bossa Nova, Músicas de MPB Originais e Sambas Autênticos .

A progressão ii V I na bossa nova aparece quando a harmonia precisa conduzir o ouvido até a tônica com elegância. Ela está na linguagem de Tom Jobim, em arranjos de MPB e em acompanhamentos que parecem simples na superfície, mas carregam movimento interno. A sequência não depende apenas dos nomes dos acordes. O resultado vem da direção entre preparação, tensão e repouso, além do ritmo, do registro e da duração de cada ataque.

Em Dó maior, o desenho é Dm7 – G7 – Cmaj7. O primeiro acorde prepara, o segundo concentra a tensão e o terceiro recebe a resolução. As sétimas fazem diferença: sem elas, a mesma sequência pode perder a conversa entre as vozes e soar mais genérica. No violão, você pode começar com formas que contenham as notas F e B no G7. No teclado, experimente manter F e E próximas entre G7 e Cmaj7. Use o quadro acima para consultar os acordes nos doze tons e as músicas associadas sem precisar decorar tudo de uma vez.

Nesta página, você vai ouvir a função de cada grau, entender onde a roda pode cair no compasso e testar levadas que mudam o caráter sem trocar os acordes. Para comparar esse caminho com outras fórmulas, visite todas as progressões. Depois, coloque a ideia lado a lado com a progressão I–vi–IV–V e com a progressão I–V–vi–IV. Comece hoje com dez voltas em 60 BPM, quatro pulsos por compasso e uma troca de acorde no tempo 1.

Como a progressão ii–V–I soa e por que funciona

A progressão ii–V–I soa como uma frase que pergunta e responde. O ii não costuma parecer um ponto final. Ele coloca a música em movimento. O V concentra a tensão porque sua terça e sua sétima apontam para notas da tônica. O I recebe essa energia e oferece repouso. Em Dó maior, Dm7 prepara, G7 aperta e Cmaj7 resolve. Toque cada acorde por quatro tempos e repare no deslocamento antes de pensar na levada.

O ouvido percebe esse arco mesmo quando você toca poucas notas. A razão está na condução das vozes. Algumas notas permanecem próximas, enquanto outras descem ou sobem por pequenos intervalos. No encadeamento G7 para Cmaj7, por exemplo, a nota F tende a descer para E, enquanto B tende a subir para C. Esse deslocamento curto cria fluidez. Na bossa nova, a mão direita e a articulação deixam cada mudança audível, mas sem transformar a harmonia em uma sequência pesada.

O caráter brasileiro aparece quando você combina essa cadência com espaço, síncope e dinâmica baixa. A harmonia pode ser sofisticada sem ficar carregada. Pense no acompanhamento de uma canção de Jobim, em uma balada de MPB ou em um arranjo de gospel com acordes de sétima. O mesmo arco pode soar íntimo no violão, transparente no piano ou mais encorpado em uma banda. Em um forró lento, a mesma direção pode funcionar com baixo marcado e acordes curtos. Em um pagode, ela pode receber ataques secos, desde que a chegada à tônica continue clara.

Se você retirar as sétimas e tocar apenas tríades, a função ainda existe, mas a cor muda. A tensão fica menos específica. Com Dm7, G7 e Cmaj7, o ouvido identifica melhor a direção. Por isso, os acordes de bossa nova costumam depender tanto das extensões e da maneira como as vozes se conectam.

Faça este teste agora. Toque Dm, G e C em blocos de quatro tempos. Grave uma volta. Depois toque Dm7, G7 e Cmaj7 no mesmo andamento e com o mesmo volume. Compare a passagem de G para C. Se a resolução parecer mais definida na segunda versão, você já está ouvindo o efeito das sétimas, não apenas decorando nomes.

A função de cada grau dentro da frase

O ii exerce a função de preparação. Ele não precisa soar dramático. Seu trabalho é tirar a frase da estabilidade e conduzi-la para a dominante. Em Dó maior, Dm7 traz uma sensação de caminho, não de chegada. Na prática, você pode deixar esse acorde mais leve, com ataque curto, e reservar um pouco mais de presença para a mudança seguinte. Toque-o com volume 5 em uma escala de 0 a 10 e deixe espaço antes do G7.

O V é a dominante. Ele concentra a expectativa e costuma receber uma articulação mais definida. Em Dó maior, G7 contém B e F, duas notas que ajudam a conduzir o ouvido para Cmaj7. Você não precisa tocar todas as notas com a mesma força. Deixe a terça e a sétima aparecerem com clareza, principalmente no piano. No violão, a escolha do desenho e a corda mais aguda ajudam a revelar essa tensão. Toque G7 com volume 7, mas sem aumentar o andamento.

O I é a tônica e funciona como repouso. Cmaj7 não precisa ser tocado como um ponto final absoluto. Na bossa nova, ele muitas vezes permanece aberto, pronto para uma nova frase. A sétima maior cria uma estabilidade com brilho, diferente de um acorde simples. Se a melodia continuar, a tônica pode ser uma pausa curta antes de outra volta da roda. Deixe o Cmaj7 durar quatro tempos na primeira tentativa e reduza para dois tempos quando quiser preparar imediatamente o próximo ii.

Essa leitura ajuda a evitar um erro comum: tocar os três acordes com o mesmo peso. O ii pode entrar discreto, o V pode ganhar contorno e o I pode relaxar. Em uma canção sertaneja com influência de MPB, essa diferença dá sofisticação ao refrão. Em um pagode, ela pode aparecer em ataques mais secos. Em um forró lento, a mesma função cabe em uma levada marcada, desde que a resolução continue audível.

Para revisar os nomes dos graus, intervalos e funções, consulte o material de teoria musical. A ideia não é decorar definições isoladas. É ouvir o que muda quando o acorde de preparação vira dominante e quando a dominante finalmente cai na tônica.

Exercício de cinco minutos: toque Dm7 por quatro tempos, G7 por quatro tempos e Cmaj7 por oito tempos. Repita seis vezes. Nas três primeiras voltas, conte os graus em voz alta. Nas três seguintes, pare de falar e tente antecipar a chegada do Cmaj7 um pulso antes. Se você não sentir a resolução, reduza para 50 BPM e toque apenas as três notas-guia de cada acorde.

Onde a roda cai no compasso

Em muitos arranjos, cada acorde ocupa um compasso de 4/4: dois compassos de ii, um de V e um de I, ou um compasso para cada etapa. Não existe uma única distribuição. O ponto central é sentir onde a frase respira. Se o V entra no terceiro tempo ou no início do compasso seguinte, a resolução pode parecer mais urgente. Se ele ocupa o compasso inteiro, a expectativa fica mais longa.

Uma forma simples de começar é contar “1, 2, 3, 4” sem tocar. Marque a troca do ii para o V no tempo 1 e a chegada ao I no tempo 1 seguinte. Depois, repita a sequência colocando o V no tempo 3. Você vai perceber que a mesma harmonia muda de impulso. A primeira opção soa organizada. A segunda cria antecipação e pode combinar melhor com uma melodia sincopada.

Use quatro formatos de estudo. No primeiro, toque Dm7 por um compasso, G7 por um compasso e Cmaj7 por um compasso. No segundo, mantenha Dm7 por dois compassos e divida o último compasso entre G7 e Cmaj7. No terceiro, toque Dm7 no tempo 1, G7 no tempo 3 e Cmaj7 no tempo 1 do compasso seguinte. No quarto, antecipe o G7 no “e” do tempo 4. Faça quatro voltas em cada formato e observe qual deles deixa a melodia mais confortável.

Na bossa nova, a roda frequentemente se apoia em ataques que não coincidem com todos os tempos fortes. O baixo pode sugerir o tempo 1, enquanto o acorde aparece no contratempo. Isso não muda a função harmônica. Apenas desloca a sensação corporal. Conte o pulso com o pé e toque os acordes em posições diferentes até o movimento ficar estável.

Em uma progressão curta, o final do compasso também pode preparar a próxima volta. O I entra, repousa por um instante e já deixa uma nota ou um ataque apontando para o ii. Esse encadeamento evita que a roda pare completamente. Escute o silêncio entre os acordes. Um espaço de 120 milissegundos pode ser mais musical do que preencher cada fração do compasso. Para testar isso, faça uma gravação com ataques contínuos e outra com um corte curto antes da entrada do ii.

Use números concretos no estudo. Comece em 60 BPM, mantenha quatro pulsos por compasso e faça dez voltas sem acelerar. Depois passe para 72 BPM. Se você perder a posição do contratempo, volte para 60 BPM. O metrônomo online ajuda a manter o pulso, mas a página precisa permanecer aberta no navegador e o resultado depende da sua execução e do dispositivo usado.

O exercício de hoje dura quatro minutos. Faça duas voltas com trocas no tempo 1, duas com G7 no tempo 3, duas com antecipação no “e” do tempo 4 e repita o ciclo em 66 BPM. Bata o pé apenas nos tempos 1 e 3. Se o corpo parar de marcar o pulso quando o acorde entrar no contratempo, simplifique a levada antes de aumentar a velocidade.

Levadas que mudam o caráter sem mudar os acordes

Você pode transformar a progressão apenas alterando o ritmo. No violão, experimente um ataque do baixo no tempo 1 e uma resposta curta das outras cordas no contratempo. Deixe o segundo ataque mais leve. A mão direita não precisa fazer um movimento grande. A precisão do gesto e o controle do abafamento definem mais o balanço do que a força.

Conte “1 e 2 e 3 e 4 e”. Toque o baixo no “1”, abafe as cordas, e responda com o acorde no “e” de 2. Faça outro ataque curto no “e” de 4. Repita o desenho em Dm7, G7 e Cmaj7 a 60 BPM. Depois retire o ataque do “e” de 4. A comparação mostra como uma única resposta rítmica altera o balanço sem mudar a harmonia.

Outra opção é usar baixo e acorde separados. Toque a nota grave no tempo 1, deixe um espaço pequeno e responda com o acorde no “e” do tempo 2. Repita a ideia no tempo 4 com menos volume. Esse desenho cria uma conversa entre grave e bloco harmônico. Ele funciona com Dm7 – G7 – Cmaj7 sem alterar a sequência nem acrescentar acordes.

No piano, uma levada pode usar a mão esquerda em notas graves curtas e a direita em acordes compactos nos contratempos. Evite sustentar tudo pelo mesmo tempo. A sustentação excessiva mistura as funções e diminui a clareza da dominante. Toque Dm7 com pouco peso, destaque G7 e solte Cmaj7 com uma duração um pouco maior. Comece com a mão esquerda em uma única nota por acorde, sem oitavas, para controlar melhor o espaço.

Para um caráter mais próximo do samba, aumente a atividade rítmica sem acelerar o BPM. Faça duas respostas por compasso e mantenha o baixo regular. Para uma balada de MPB, reduza os ataques e deixe mais silêncio. Para um acompanhamento de pagode, use cortes secos e uma acentuação constante. Para um arranjo sertanejo, simplifique a mão direita e coloque a intenção na troca entre preparação e resolução. Para um gospel lento, deixe o Cmaj7 soar por mais tempo e mantenha o G7 com entrada bem definida.

Grave três versões de trinta segundos. Na primeira, toque apenas nos tempos fortes. Na segunda, use contratempos. Na terceira, misture um baixo antecipado com acordes curtos. Compare o espaço entre os ataques. Se a progressão continuar reconhecível mesmo com a levada diferente, você está controlando ritmo e harmonia separadamente. Anote o andamento de cada gravação e marque em qual versão a dominante ficou mais audível.

Um teste adicional separa mão e ouvido. Toque somente o baixo durante quatro voltas. Depois mantenha o baixo gravado e acrescente os acordes em volume 4. Se você não conseguir entrar no contratempo sem correr, reduza para 52 BPM e use apenas um ataque por compasso. Volte aos 60 BPM quando completar oito voltas sem adiantar o tempo 1.

Variações comuns: sétima, sus4 e baixo invertido

A sétima é a primeira variação que você deve dominar. Ela deixa mais clara a relação entre os graus e aproxima o acompanhamento da linguagem de jazz e da bossa nova. Dm7 ganha função de preparação, G7 expõe a dominante e Cmaj7 oferece repouso colorido. Não trate a sétima como enfeite automático. Escolha uma nota que ajude a condução e toque o restante com menos volume.

Comece com as quatro notas de cada acorde no teclado: D, F, A e C para Dm7; G, B, D e F para G7; C, E, G e B para Cmaj7. Toque as notas simultaneamente e depois observe as vozes que podem se mover por semitom ou tom. No violão, não tente trocar todas as cordas ao mesmo tempo. Escolha uma forma confortável, confira a nota do baixo e deixe as duas cordas mais agudas soarem com clareza.

O sus4 cria uma suspensão. Em vez de resolver imediatamente a tensão de uma dominante, você segura uma nota por um momento e depois retorna ao acorde principal. Dentro da lista disponível, Gsus4 pode aparecer antes de G7. A sensação é de espera prolongada. Use essa troca no último tempo do compasso ou em um ataque antecipado, sem transformar cada volta em uma sequência cheia de efeitos.

Para ouvir a diferença, mantenha Dm7 por um compasso, toque Gsus4 por dois tempos, resolva para G7 por dois tempos e chegue a Cmaj7 no compasso seguinte. Repita quatro vezes a 60 BPM. Depois faça o mesmo sem Gsus4. A suspensão deve ampliar a espera, não esconder a função do V. Se G7 desaparecer, reduza a duração do Gsus4 para um tempo.

O baixo invertido muda a nota mais grave sem alterar a função principal do acorde. Ele pode criar uma linha descendente ou ascendente entre os graus. No violão, isso exige atenção porque a nota do baixo precisa soar isolada e as cordas agudas não podem encobri-la. No piano, mantenha a mão esquerda econômica. Uma linha simples costuma funcionar melhor do que vários saltos.

Teste uma linha de baixo descendente em Dó maior. Toque Dm7, depois Dm7/C, em seguida G7/B e finalmente Cmaj7. Não use essa sequência como regra fixa. Escute se o baixo realmente conduz a frase ou se apenas adiciona notas graves. Faça a experiência em andamento lento, com dois tempos para cada forma, e retire a inversão quando o registro ficar embolado.

Também é possível alternar uma forma com sétima e uma forma mais aberta conforme a seção da música. No verso, use ataques leves e vozes próximas. No refrão, deixe Cmaj7 durar mais e marque a entrada do V com clareza. A progressão permanece a mesma, mas a dinâmica cria contraste. Essa abordagem serve para MPB, gospel, forró e até acompanhamentos de música sertaneja com arranjo acústico.

Se você ainda confunde sus4 com uma troca completa de função, toque Dsus4 e depois D, ou Gsus4 e depois G7, em andamento lento. Escute a suspensão e a resolução. Para testar combinações disponíveis no seu tom, abra o gerador de acordes. Use a ferramenta como apoio de escuta, não como substituta da análise do movimento entre ii, V e I.

Limite as variações durante o estudo. Escolha apenas uma por sessão: sétima na segunda-feira, sus4 na terça e baixo invertido na quarta, por exemplo. Faça oito voltas com a versão simples e oito com a versão alterada. Se a função continuar evidente nas duas gravações, a mudança está servindo à frase em vez de ocupar espaço por acaso.

Como estudar a roda em quinze minutos por dia

Divida os quinze minutos em três blocos de cinco. No primeiro, diga os graus em voz alta: ii, V, I. Escolha um tom do quadro acima e toque a sequência com uma batida por tempo, sem levada. Faça quatro voltas em 60 BPM. O objetivo é trocar sem interromper o pulso. Se uma mudança travar, reduza a velocidade e mantenha a contagem.

No primeiro minuto, toque apenas uma nota grave por acorde. Nos dois minutos seguintes, use tríades. Nos dois minutos finais, acrescente as sétimas. Essa ordem evita que a mão fique ocupada com desenhos antes de o ouvido reconhecer a função. Em Dó maior, confirme a sequência Dm7 – G7 – Cmaj7 e depois escolha Ré maior, onde a roda passa por Em7 – A7 – Dmaj7.

No segundo bloco, trabalhe a função. Toque o ii com volume 6 em uma escala de 0 a 10, o V com volume 7 e o I com volume 5. Depois inverta a dinâmica. Perceba como o sentido da frase muda. Cante ou assobie uma nota longa sobre a sequência, sem reproduzir nenhuma letra. O exercício mostra quais notas parecem pedir movimento e quais aceitam repouso.

Faça uma segunda rodada desse bloco com apenas duas notas-guia por acorde. Em G7, destaque B e F. Ao chegar a Cmaj7, conduza B para C e F para E. Repita quatro vezes. Se você tocar no violão, escolha duas cordas agudas e escute apenas a passagem entre esses pares. No teclado, use a mão direita e mantenha a mão esquerda em silêncio durante esse teste.

No terceiro bloco, escolha uma levada. Faça cinco voltas com ataques nos tempos fortes e cinco com contratempos. Termine com cinco voltas usando baixo separado do acorde. Grave pelo celular a última volta. Confira se o tempo ficou entre 60 e 72 BPM e se o acorde de dominante realmente se destaca antes da tônica. O microfone do aparelho pode alterar o equilíbrio entre grave e agudo, então use a gravação para comparar a execução, não para medir o som com precisão de laboratório.

A cada dia, troque apenas uma variável. Você pode manter a levada e mudar o tom, ou manter o tom e mudar o ponto de entrada do V. Não mude andamento, desenho, dinâmica e vozes ao mesmo tempo. O estudo rende mais quando você consegue identificar a causa de cada diferença sonora.

Depois de sete dias, toque a progressão em três regiões do instrumento. No violão, compare cordas graves e posições mais agudas. No teclado, compare voicings fechados e abertos. Em seguida, aplique a roda a uma melodia conhecida sem tocar sua cifra completa. Esse passo mostra se você entende a função ou apenas repete um desenho mecânico.

Use este registro no fim da sessão: tom estudado, BPM, número de voltas sem interrupção, levada escolhida e ponto em que você perdeu o pulso. Depois de uma semana, você terá sete observações concretas. Se o mesmo problema aparecer em três dias, trate-o isoladamente por cinco minutos antes de retomar a roda completa.

Resumo

A progressão ii–V–I funciona porque organiza a frase em preparação, tensão e repouso. A bossa nova revela esse movimento com sétimas, vozes próximas, silêncio e síncopa. Você não precisa trocar os acordes para mudar o caráter. Ritmo, dinâmica, duração e registro já criam diferenças claras.

Comece devagar e escute cada etapa. Em Dó maior, use Dm7 – G7 – Cmaj7 como referência concreta, mas pratique a função em outros tons. Em Sol maior, experimente Am7 – D7 – Gmaj7. Em Fá maior, toque Gm7 – C7 – Fmaj7. O mais importante é reconhecer quando a harmonia está saindo da estabilidade, concentrando energia e chegando à tônica.

Use este roteiro em cada sessão:

  • Conte quatro pulsos antes de tocar e comece em 60 BPM.
  • Identifique o ii como preparação, o V como dominante e o I como repouso.
  • Pratique ataques nos tempos fortes e depois nos contratempos.
  • Teste sétima, sus4 e baixo invertido com moderação.
  • Conduza B para C e F para E na passagem de G7 para Cmaj7.
  • Grave uma volta por dia e compare a clareza da resolução.
  • Aumente para 66 ou 72 BPM apenas depois de dez voltas estáveis.

Para começar agora, programe 60 BPM, toque Dm7 por quatro tempos, G7 por quatro tempos e Cmaj7 por oito tempos. Repita dez vezes. Na última volta, retire um ataque antes da entrada do ii e observe se o silêncio melhora a respiração da frase.

Perguntas frequentes

O que é a progressão ii–V–I?

É uma sequência de três funções harmônicas: o ii prepara, o V cria tensão e o I resolve na tônica. Em Dó maior, o exemplo é Dm7 – G7 – Cmaj7. Essa relação aparece em jazz, bossa nova, MPB, gospel e outros estilos. O efeito não depende só da ordem, mas também das sétimas, da condução das vozes e do ritmo usado no acompanhamento. Para ouvir a função, toque cada acorde por quatro tempos em 60 BPM e compare a passagem de G7 para Cmaj7.

Por que Dm7 – G7 – Cmaj7 soa tão ligado à bossa nova?

Essa sequência combina direção harmônica clara com acordes de sétima e espaço rítmico. Dm7 prepara, G7 concentra a expectativa e Cmaj7 relaxa sem fechar completamente a frase. Quando você toca com síncopa, dinâmica baixa e baixo bem controlado, o resultado se aproxima da linguagem de bossa nova e de muitos arranjos de MPB. Faça ataques curtos no baixo, respostas leves no contratempo e deixe um pequeno silêncio antes da próxima entrada.

Posso tocar a progressão apenas com acordes maiores e menores?

Pode, mas a cor muda. As tríades preservam parte da função, porém deixam menos evidente a relação entre preparação e dominante. Com Dm7, G7 e Cmaj7, as sétimas criam vozes internas que conduzem melhor o ouvido. Comece pelas tríades para memorizar o caminho e depois acrescente as sétimas em andamento lento. Compare quatro voltas com Dm – G – C e quatro com Dm7 – G7 – Cmaj7, sempre no mesmo BPM.

Quantos tempos devo manter cada acorde?

Não há uma única distribuição. Você pode manter cada acorde por um compasso de 4/4, usar dois compassos para o ii ou antecipar o V no último tempo. Comece trocando no tempo 1. Depois experimente a entrada do V no tempo 3 ou em um contratempo. A escolha deve acompanhar a melodia e a respiração da frase. Para estudar sem complicar, faça Dm7 por quatro tempos, G7 por quatro tempos e Cmaj7 por oito tempos.

Como criar uma levada de bossa nova sem trocar a harmonia?

Separe o baixo do acorde e use respostas curtas nos contratempos. Marque o pulso com o pé, toque o grave com menos duração e deixe os acordes agudos entrarem de forma leve. Também funciona reduzir o número de ataques e usar silêncio entre eles. O balanço vem da relação entre pulso, antecipação, abafamento e dinâmica. No violão, teste baixo no tempo 1 e acorde no “e” do tempo 2. No piano, use uma nota grave curta e acordes compactos na mão direita.

Quando devo usar Gsus4 antes de G7?

Use Gsus4 quando quiser prolongar a sensação de espera antes da dominante. A suspensão pode entrar no último tempo do compasso ou em uma antecipação curta, seguida por G7. Se você usar em todas as voltas, o recurso perde força. Teste primeiro em uma transição para Cmaj7 e observe se a resolução ficou mais expressiva. Em 60 BPM, deixe Gsus4 durar um ou dois tempos e resolva para G7 antes da chegada ao I.

O que o baixo invertido muda na progressão?

O baixo invertido cria uma linha mais contínua entre os acordes sem trocar necessariamente a função harmônica principal. Ele pode fazer o grave subir ou descer por pequenos intervalos. Toque a nota mais grave com clareza e mantenha o restante econômico. Se a linha ficar cheia de saltos, a progressão pode perder o balanço e a resolução. Compare Dm7 – Dm7/C – G7/B – Cmaj7 em dois tempos por acorde e retire as inversões se o registro ficar embolado.

Qual andamento é melhor para começar o estudo?

Comece entre 60 e 72 BPM. Em 60 BPM, você consegue ouvir cada troca e conferir se o pulso permanece estável. Depois de fazer dez voltas sem parar, suba para 66 ou 72 BPM. Não aumente o andamento quando a mão ainda estiver compensando atrasos. O objetivo é manter a roda regular e a dominante audível. Se você perder o contratempo, volte para 60 BPM e reduza a levada a um ataque por tempo.

Preciso estudar a progressão em todos os tons?

Sim, mas não no mesmo dia. Primeiro memorize a função em um tom confortável. Depois escolha um tom por sessão e consulte o quadro acima para evitar erros de grafia ou transposição. Praticar em regiões diferentes melhora a adaptação do ouvido e da mão. Mantenha a mesma levada durante a troca de tom para perceber apenas a mudança harmônica. Comece por Dó maior, Ré maior e Fá maior, fazendo cinco voltas estáveis em cada tom.

A progressão ii–V–I serve para sertanejo, forró, gospel e pagode?

Serve, desde que você adapte o ritmo, o registro e a dinâmica ao arranjo. No sertanejo acústico, use poucos ataques e destaque a chegada da tônica. No forró lento, mantenha o baixo regular e os acordes marcados. No gospel, deixe extensões soarem por mais tempo e conduza as vozes com cuidado. No pagode, prefira cortes curtos e contratempos constantes. A função ii, V e I permanece, mas a levada muda a leitura do acompanhamento.

Como saber se a dominante está realmente criando tensão?

Toque Dm7 e G7 por quatro tempos cada, depois Cmaj7 por oito tempos. Se G7 e Cmaj7 soarem com o mesmo peso, reduza o Dm7 para volume 5, deixe G7 em volume 7 e Cmaj7 em volume 5. No teclado, destaque B e F no G7 e conduza essas notas para C e E. No violão, escolha uma posição em que as cordas agudas deixem a terça e a sétima audíveis. Grave duas voltas e compare a resolução.